Minha relação com o teatro é um tanto quanto suspeita. Lembra o julgamento desconfiado de alguém com quem pouco conversamos. Confesso que minhas idas esporádicas não me permitem uma bagagem comparativa que resulte em uma análise embassada do que vejo. E o maior problema é que ultimamente não gosto do que vejo.
Assistir Ricardo III, no Teatro FAAP deveria ser uma experiência desafiadora, visto que meu lado tosco e pop considera Shakespeare algo intrigante. Mas o padrão Globo de qualidade foi demais para uma encenação que deveria sobreviver ao tempo e às duras intervenções culturais. Tudo muito bonito, famoso e feliz, tal qual uma Ilha de Caras Cênica. Piadinhas aos montes, para não deixar o espectador esquecer o autor (não nosso amigo Inglês e sim nosso simpático e culto gordinho das madrugadas). No fim, ficou aquela sensação de "fui enganado". Algumas boas interpretações não salvaram o todo. Sotaque carioca me fez imaginar o posto 9 em meio a guerra entre Lancaster e York. E a classe média urbana sai feliz e satisfeita com sua dose semanal de cultura, para discutir nos Spots, Ritz e Mestiços. Dose por dose, prefiro as Blue Pills, com resultado garantido e não precisa pedir que tem bis.
Tuesday, June 06, 2006
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