Friday, September 29, 2006

Caos e coisas..(o caos foi ato falho..resolvi preservar..)

Vida corrida, sofrida..bem vivida (será?..ou será. com certeza.)
Hora pra tudo, falta de tempo. Que tempo?
Loucura..pensamentos
idéias
idéias
inadequação das mesmas
é preciso outras..sempre, sempre mais.
Tudo passa e vejo que o ano quase termina,
como exercicio acompanho o movimento das coisas..
ao embarcar para a faculdade
e as coisas estão lá, sempre no mesmo lugar..cansei de ver os mobiliários urbanos, outdoors ruins.
Reparo na gente, não no físico, mas no comportamento
Por vezes, me surpreendo
Vem mais um dia, e eu to correndo.
Pensar? cuspir! cuspir palavras num papel sem graça, sem vida, sem cor.
Reflexão de valores, situações.
Erros são aprendizado. Errei com aquele idiota..ou eu sou a idiota?
Hoje vejo que não é nada alem do que sempre havia sido, um nada na minha concepção com descaso, passava despercebido, despercebido não, insuportável!
Fui inventar moda, acabou virando tendência o corpo fechado.
O gosto ainda é amargo, argh! não aprendi a lidar com as inverdades e falsidade, será o próximo aprendizado?..
Porém, ainda acredito no eterno.
Fases, mutantes, extremos numa triste felicidade.
Dúvida, indecisão, as coisas e as pessoas se tornam tão superficiais e vazias na sociedade do espetáculo...
A dúvida das pessoas é: "com que roupa eu vou"..ou "o que vou comprar".."qual ficou melhor?"
depois paga de socialista....quanta hipocrisia!
Conheço o rei egocêntrico! ele é o centro do universo do seu umbigo que acredito ser o maior do mundo! As pessoas confundem aquela idéia de amor próprio.
Vou cair no mundo.
Ah... frase célebre "nunca magoe uma canceriana"... não sou rancorosa..mas a gente nunca esquece...e muito se perde.
Confusão de uma mente com lembranças meio borradas.
Quero ter memória seletiva.
copo meio cheio ou meio vazio..mais um dia...ou, menos um dia?
(também não entendi a lógica.)

Tuesday, September 19, 2006

Critica da Ostra em parceria com Shakespeare

Imensurável seria a palavra mais exata para definir a contribuição de Shakespeare para o entendimento de uma campanha política, bem como para uma compreensão da essência dos homens e das relações humanas como um todo. Shakespeare representa a cada um de nós em seus personagens, e nos leva ao mesmo tempo a continuas e intrigantes reflexões, como: vestiremos o tempo todo máscaras na encenação dos capítulos do nosso cotidiano? Pois se os políticos nos vendem seus personagens, nós estamos do outro lado, nas salas de nossas casas, assistindo pela televisão e optando por aqueles com os que nos identificamos de alguma maneira, e tudo se torna mais assustador ainda, pois passamos a fazer parte daquela obra tragicômica.
Para fazer a presente análise, nos obrigamos a assistir e debater o programa eleitoral gratuito. Devo admitir que somente razões como esta nos motivam a acompanhar alguns dos programas do começo ao fim (com a consciência dizendo a todo instante: por favor, desligue este aparelho.) O interessante nesta “tortura” foi analisar, após as aulas nas quais minuciosamente discutíamos Ricardo III, os elementos de teatro presentes nos programas: cenários, roteiros e verdadeiros personagens com seus discursos. Uma diferença gritante entre os partidos que possuem grandes publicitários nos bastidores de sua campanha; diferença de texto, cenário e postura. A televisão ainda corrige as faces e feições de seus personagens, transformando suas máscaras em “cútis perfeitos”, de candidatos que parecem não envelhecer nunca. Todos estes são elementos para vender ao povo seus representantes no Congresso Nacional.
Além dos elementos visuais e de linguagem, podemos analisar a questão do poder, ponto central da peça de Shakespeare. Analisar o fascínio que este exerce sobre as pessoas, a luta, a perda de limites e absentismo das questões éticas. Em Ricardo III e na atualidade podemos verificar através dos tempos o poder transformando as pessoas, e que ninguém, numa visão talvez pessimista, talvez realista, esta livre de ser corruptível quando se vê num cargo de alto escalão, imerso ao mundo dos poderosos; no “Grande Mecanismo”. Acredita-se que o próprio Shakespeare em Ricardo III foi tendencioso para o lado da família Tudor que se encontrava no poder da Inglaterra daquele período propositalmente, visando obter uma série de benefícios por conta disso.
Ricardo III é transformado em um verdadeiro monstro, vai contra tudo e contra todos até alcançar o seu objetivo; o reinado. Comete traições, assassinatos, mentiras, calúnias, entre tantas outras atitudes que acabam tornando-o um personagem repudiável. Quando chega ao posto almejado e conquistado através de tantas artimanhas e trapaças, não se sente satisfeito, pois a vontade e todo aquele desejo pela conquista de coisas quase impossíveis era o que o movia. Acaba sozinho, traído, arruinado, sem amigos, sem família, vazio em seu dilema. Quando conversa com o público mostra sua outra face e por momentos ao menos parece agir e falar com sinceridade. (E nossos políticos, como se comportarão em suas vidas privadas?)
O que assusta, particularmente a mim, é pensar quantos “Ricardos III” tivemos ao longo da história da humanidade, onde os fins justificam os meios e as páginas da história da humanidade, e de famílias são manchadas por ditadores como Hitler, Mussolini, Vargas, Perón, Pinochet, Chávez, entre tantos outros. E porque não incluir Bush nesta lista? Sábio também foi Spielberg ao desenvolver “Pink e Cérebro”, uma paródia da realidade daqueles que “querem dominar o mundo”.
Como citado anteriormente, nota-se nas campanhas políticas como transmite Shakespeare em sua obra o uso de recursos teatrais, representações sem autenticidade, ou seja, a falsidade. Não conseguimos identificar um discurso sequer que passasse integridade em meio a tantos e tantas promessas. Podemos recorrer também a cena em que Ricardo III veste um de seus personagens para conquistar a aprovação do povo; nota-se sua ironia e hipocrisia na investida de difamar os verdadeiros herdeiros, ao mesmo tempo, buscando apoio em um elemento com o qual pudesse atestar sua essência “boa” junto ao povo. A religião era a melhor arma para isto naquele momento. Fazendo o paralelo com os políticos atuais, cansamos de ver as cenas com criancinhas e idosos, e as narrativas de histórias de vidas humildes, de pessoas que batalharam e merecem ocupar aquele cargo. Quanto maior a aproximação com a história do povo, melhor. A identificação deve começar por ai. São todos os candidatos pessoas humildes que estão na luta pelo poder para defender os direitos do povo.
A peça acaba de forma trágica, como acabaram também de forma trágica histórias como as de Hitler e Collor, citados em aula. Na luta onde os fins justificam os meios, o poder carece de uma essência ética, e de boas intenções. Assim é em Shakespeare, assim é na vida real, a diferença é que nós podemos interferir na história, porém não temos o poder de escolher o gênero da nossa obra.