Pensei que nunca retomaria este espaco, porém hoje, num dia em que parece que o mundo vai desabar, com estrondos e um pé d’agua que cai la de cima, pensei em escrever, em contar para voce ou para alguem que passar por aqui, a história mais fascinante que conheci, em toda minha vida.
Um jovem sonhador, depois de recorrer um par de quilometros conheceu uma menina sedutora, perdeu o juizo e ha pouco tempo de namoro a pediu em casamento... Ele era realmente encantador, tinha um brilho nos olhos e uma alegria contagiante, sua bondade podia ser notada a metros de distância... era inacreditável pensar que alguem que teve uma infância tao conturbada cheia de despedidas, mudanças, acusaçoes sem sentido e desgraças pudesse manter intacto o bom coraçao e a essência tao pura.
Com tantos atributos a menina nao esitou em aceitar o pedido! Ela tinha a inocência própria da pouca idade e o talento de conduzir corais e sua própria vida, tao versátil como seu penteados, escolheu abrir seus horizontes ao lado daquele jovem...com o qual viria a construir uma familia...
Ao pouco tempo de casamento e com o primeiro fruto da uniao em seus primeiros meses de vida, viriamos a descobrir que aquele coraçao nao teria sido tao forte quanto imaginávamos dando seu primeiro sinal de fraqueza com um infarto.
Ele enxergou a luz, aquele túnel, as imagens da curta vida porem cheia de histórias e emoçoes, e escolheu ficar.
Começou a acompanhar o crescimento da primeira filha, logo viria a segunda, em terras argentinas, e com elas estes jovens foram aprendendo o oficio de ser pai e mãe.
Ele, o capitão sonhador, que convidava a mergulhar em suas histórias, músicas, sempre pronto para sair correndo no primeiro sinal de desconforto.Ela, a âncora, cheia de força, a fortaleza e segurança dele, e das crianças.
Os capítulos seguintes dessa história viriam a ser vividos em novas terras ... as terras do Brasil... a descoberta de que estava a caminho o primeiro filho homem, junto com novos negócios... novos caminhos e depois da quarta filha, abandonar a idéia de ter cinco!
O capitão entao foi guiando sua tripulação, a âncora nunca perdeu suas características iniciais e os filhos foram adquirindo as suas própias, e começando com elas a adquirir sua própria importância nessa história.
A primogenita ao longo dos anos e de sua formação se tornou a empreendedora, protetora dos menores e braço direito do capitão.
A segunda depois de alguns golpes e quedas livres mostrou para todo mundo que pode ser mais forte do que ela mesmo acreditava, sempre zelou pelo bem estar dos animais da arca.
O tão esperado homem, ao perceber a responsabilidade, e aprender a lidar com tantas mulheres, foi em busca de seu próprio destino, e aos poucos vai desenhando o seu caminho, depois de um periodo vivendo em seu mundo singular, sempre mudando as coisas da arca e organizando num novo lugar.
A menor teve a vantagem de contar com a proteção de toda a tripulação, se considerava valente e tentava estar sempre a postos, quando solicitada sua presença.
Os anos foram se passando e esta tripulaçao foi conhecendo uma série de experiências, as vezes nao passou ilesa pelos ataques dos piratas que estão sempre prontos e armando suas conspiraçoes.
Porém o elo que havia entre eles (os seis tripulantes da arca) nunca permitiria um naufrágio, e resistiria bravamente a cada um destes ataques.
O capitão ensinou a tripulaçao uma série de virtudes e oficios, a âncora, por sua vez, foi responsavel por impor limites e pela educaçao.
Juntos, passaram por viagens, gozaram do bom e do melhor...tambem juntos sofreram com quedas livres e se acostumaram a outra realidade...alguns sacrificios...muitas brigas...histórias...incontáveis risadas e emoçoes.
Alguns desmaios e descontroles...elogios e dores...muitas idas ao hospital...muitas voltas, com todos, sempre os seis.
Na verdade, a arca contava com mais personagens: o comandante teve muitos amigos, porém apenas um, era seu amigo de confiança; Bingo-papagaio. O Bingo-papagaio sempre o manteve informado, e ninguem podia se aproximar do capitao sem prévia autorizaçao deste, que contava com todo seu carinho e respaldo.
A irmã Mel-mica, a conselheira da âncora, embora de suas escapadas, devido a certas conveniencias.
Embora o guardião oficial desta arca seja Murphy-mor, devido a sua estatura e forte latido, quem garante a protecao contra os piratas é a Biba-gancho, com seu genio dificil, porém incomparável fidelidade.
Há pouco tempo, um acontecimento ameaçou os rumos do barco... o capitão teve uma das tantas idéias, que sempre discutia e compartilhava com toda a tripulacao mais desta vez, a considerou segredo de estado.
Muitos pensam que ele abandonou o barco. Porém, quem o conhece, sabe que aquele que ensina que para seguir enfrente, todos precisam continuar remando juntos, nunca o faria. Em meio a tantas tempestades, o capitao do barco tomou a decisao de interferir nos ceus e nos mares para trazer um pouco de calmaria aos mares navegados pela sua arca...ele notou que havia um problema sério de conexao com o “pai” de todos e resolveu ir até ele, para conversar pessoalmente..Teve uma série de boas idéias e pensou que com o seu patrocinio poderia viabilizá-las e converter o mundo em um lugar melhor, nao só para os tripulantes da sua arca, senao para todos.
O capitao sabia que os tripulantes nao concordariam com esse plano, por isso seguiu sem dizer nada e tentou deixar todas as coordenadas e seu fiel escudeiro, Bingo-papagaio, para que a tripulacao continuasse seu caminho sozinha (no tempo que ele levaria para percorrer o trajeto entre o barco e a morada do Eterno).
Num primeiro momento, a tripulacao perdeu o rumo e a ancora esqueceu que era ancora, e que precisava assumir, provisoriamente, o lugar do capitao. Cada tripulante havia saido com seu bote explorar novos horizontes, quando soou o alarme de emergência.
Os tripulantes, cada qual em seu bote, enfrentou a pior tempestade da sua vida para conseguir chegar a arca. Todos se olharam e a empreendedora tomou a frente e juntou os elos daquela corrente. A tempestade nao passava e se intensificava dia a dia.
A ancora retomou a lucidez e quando percebeu que estavam os quatro a remar, com a angustia de nao conseguir sair do lugar, pegou seu remo e orientou os tripulantes até um porto seguro.
Pararam um tempo para retomar o folego e comecaram a notar que o capitao estava seguindo a sua caminhada e que nao podiam ficar parados muito tempo porque enquanto ele fazia seu papel para acalmar os ventos e o mar, eles precisam continuar remando ate encontrar o porto no qual o capitao vai estar esperando-os, na fortaleza mais calida do mundo, que só existe quando estes sao seis.
Porque ele deixou um exemplo, e nao podemos desistir nunca.
Sunday, March 02, 2008
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